Reforma de português
Quantos portugueses são necessários para trocar uma lâmpada? E para trocar a língua? Resposta: meia-dúzia de patrícios para bagunçar o idioma e quase 200 milhões de brasileiros para se adaptar à bagunça.
Mas meia-dúzia agora é com hífen ou sem hífen? E o hífen continua sendo com h? Dizem que passará a se escrever yfen. Menos uma letra e um acento, faz sentido – dois toques a menos no teclado.
E já que pára e para serão escritos da mesma forma – o bom entendedor que se vire –, sem acento e sem assento também poderiam ser unificados. Pelo sentido da frase você deduziria se a supressão é para palavras ou para nádegas.
Mas chega de reclamar de barriga cheia. O brasileiro vai ter que rebolar, o estudante vai ter um stress a mais nas provas, empresas e instituições em geral terão um custo monumental para atualizar documentos e publicações, serão três anos de caos gramatical em que cada um escreverá como quiser – e cada leitor reclamará do que quiser, com razão –, mas você poderá bater no peito e dizer, orgulhoso, que a sua língua é idêntica à de São Tomé e Príncipe.
É muito importante a unificação desse bloco cultural. E essa unificação não podia deixar de ser feita de forma lusitana: a população de Guiné Bissau, que cabe numa Kombi, segura a lâmpada, enquanto a população brasileira, que ocupa um continente, gira a escada.
Nada contra o jeito português de ser. É só uma piada. Os donos de gráfica e de editoras de livro didático estão morrendo de rir.
Mas isso não vai ficar assim. Há notícias de que está em gestação no PT uma nova reforma, instituindo a língua presa como nosso idioma oficial. É a língua falada por nove entre dez representantes da nova elite brasileira. Este, sim, seria um grrrande avansso fofial.
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