Dantas, o troféu
Anotem aí porque esta é inédita: nunca antes na história deste país um ministro da Justiça veio a público tomar o partido de um juiz. E logo de um juiz que afrontou o Supremo Tribunal Federal.
Como já se sabe, um juiz espetaculoso e um delegado federal ligado ao PSOL escreveram a quatro mãos a última novela das oito, Operação Satiagraha. Após uma investigação preguiçosa e apressada, jogaram o vilão na cadeia.
Se bem investigado, Daniel Dantas talvez se confirme como o rei do tráfico de influência no Brasil. Mas a dupla impronunciável Protógenes-De Sanctis preferiu o folhetim, e desenhou o banqueiro como o “chefe de uma organização criminosa”, na terminologia pirotécnica com que essa turma costuma concorrer às manchetes.
O processo contra Dantas, infelizmente, é pífio. Nada contundente, nada conclusivo. Por isso ele está solto. Só por isso.
Aí vem a sentença carta marcada: dez anos de prisão fechada para o banqueiro. Anotem aí novamente: será derrubada no primeiro recurso. Não porque Dantas é bonzinho. Apenas porque o processo é um lixo.
Mas eis que entra em cena o ministro da Justiça, Tarso Genro, chefe da central de conspiração e militância chavista do governo federal, para comemorar a decisão de um juiz de primeira instância. Vale reproduzir o arroubo ideológico do ministro de estado: “O povo não está acostumado a ver figurões processados pela Justiça. Ninguém está acima da lei.”
Pronto. Para quem ainda tinha dúvidas, esclarecido está. Daniel Dantas é um estandarte político do governo Lula. Seu processo é um panfleto.
Seria estranho um ministro da Justiça sair comemorando, do nada, uma sentença de um juiz altamente questionado nos meios jurídicos. Só não é estranho porque Lula pediu a seus prepostos a prisão de Dantas como um troféu. Pelo visto, a qualquer preço.
Dá até para imaginar a corriola reunida num gabinete do Planalto, repetindo a coreografia do top top imortalizada por Marco Aurélio Garcia. Uma imagem para a posteridade do estado de direito.
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